Michel Augusto

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A música servindo à pregação

A música servindo à pregação

Por Kent Hughes

Adaptado por Michel Augusto

Quando tratamos de musicalidade, nos referimos à um tema fruto de muitos debates em virtude da complexa arte e questões culturais nela envolvida. A missão é transcultural e nesse contexto, a música tem vários formatos e estilos, mas na cristandade existe um eixo que unifica todos os formatos musicais – conteúdo. D.A. Carson, como organizador da obra “Louvor, Análise Teológica Prática”, se preocupa com as diversas tradições cristãs, unificando todas elas em torno do propósito da música cristã para o povo de Deus. Vejamos o propósito da música à pregação:

  1. Música servindo à pregação. O culto é construído em torno do sermão e assim sendo, todas as músicas e hinos precisam ter o objetivo de se relacionar, ou comentar, algum aspecto do texto. A congregação canta e o que se ouve no canto é o que vai fruir a partir do texto bíblico central do dia. A música deve servir principalmente ao texto. Don Hustad descreve a música para o culto como essencialmente “funcional”. As palavras e as ações do povo de Deus, reunido para o culto, cria a necessidade de música, proporciona o ambiente.
  2. A música desenvolve a maturidade. O próprio ato de cantar a Palavra de Deus ou cantar uma verdade bíblica sobre Deus é essencialmente edificante, porque a música é mais facilmente lembrada. Vemos a música em seu melhor papel como veículo para a obediência à Palavra de Deus. A adoração atinge um grau elevado quando tanto os que fazem música quanto a igreja a que servem dobram os joelhos para a glória de Deus e fazem música em obediência à sua Palavra.
  3. A música é responsabilidade de todos. Paulo (Cl 3.16) compreendeu a inseparabilidade da Palavra e do Espírito (eles são como a fala e a respiração) e ordenou o povo de Deus a se envolver corporativamente no ministério mútuo por meio da Palavra e do Espírito enquanto cantavam. É da responsabilidade do corpo de Cristo, sempre que se reúne.
  4. A escolha da música é importante. Envolve 3 critérios: 1) Texto. Quem escolhe todas as músicas tem a responsabilidade de fazer uma pesquisa bíblica para que haja conformidade com a orientação do texto do sermão. O líder de música deve trabalhar com a Bíblia em uma mão e o hinário na outra; 2) Melodia. Dá o suporte ao texto. Uma melodia sentimental ligada a um texto exortativo irá esvaziar a força do texto. A característica da música precisa combinar com o texto; 3) adequação. A tarefa de seleção dos hinos deve estar no contexto da necessidade de se conhecer a congregação. Um hino pode ser textualmente ideal, sua melodia pode ser consistente com o texto, mas pode ser demasiado formal ou muito informal para uma determinada congregação em sua configuração. Os líderes do culto devem estar em sintonia tanto com a Palavra quanto com as pessoas que estão sendo servidas.
  5. Os músicos devem ser preparados. O músico deve ver-se como companheiro de trabalho na Palavra e conduzir tudo com compreensão e ter um coração envolvido com ela.
  6. A igreja é o principal instrumento. A igreja é o coral indispensável. O louvor de qualidade edifica o povo de Deus em sua Palavra e também chama os incrédulos a considerarem tanto a realidade quanto a substância da fé.

O ministério de música não é diferente dos demais ministérios. É o primeiro, o último, e sempre um ministério da Palavra de Deus.

Bibliografia

HUGUES, Kent R. Culto na Igreja Livre. O desafio da liberdade. In: Louvor: Análise Teológica e Prática. CARSON, D.A. (org.). São Paulo: Editora Thomas Nelson, 2017, p. 165-170

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