Michel Augusto

Blog

10 características de pessoas que vivem a justiça própria.

Por Michel Augusto

Quando falamos em justiça própria, precisamos entender que tanto a tolerância ao pecado quanto a intolerância ao pecador são extremos a serem evitados. Não podemos ser amordaçados na proclamação da verdade, mas precisamos tomar cuidado com o juízo exercido de forma precipitada (Mt 7). Pessoas cheias de justiça própria:

1) Não entendem a graça salvadora, por se tratar de algo sem mérito. A justiça própria produz uma cegueira acerca de quem é o mérito (Ef 2.8)

2) Não diferenciam os conceitos bíblicos de justificação (Rm 5) e santificação (Hb 12.8). Essa distinção é básica e fundamental, e que faz a maioria dos crentes tropeçarem ao acharem que serão justos caso alcancem o padrão máximo de santidade. A santidade é o fruto necessário da vida de quem foi achado e comprado por Cristo;

3) Se alimentam da vingança. Quando não entendemos a graça divina, não compreenderemos o seu favor. Ouvir notícias negativas do próximo é o mesmo que dizer: “Deus pesou a mão sobre “fulano”!

4) Não sabem lidar com o perdão divino na vida do próximo;

5) Vivem nos extremos do legalismo ou antinomismo. “O legalista entende que Deus é o seu devedor[1]” em virtude dos atos de bondade. O antinomista não entende que a graça não se trata de uma licença para pecar (Rm 6.1);

6) A oração, jejum e leitura bíblica produzem arrogância ao invés de humildade. O uso indevido dessas bênçãos de Deus traz o efeito contrário, reforçando a meritocracia do homem. Jesus censurou essas atitudes no Sermão da Montanha (Mt 5-7)

7) Possuem dificuldade de diferenciar a graça especial e graça comum. Deus age de forma especial salvando os seus, mas sua ação é trinitária, ou seja, Ele cuida e interage com a criação. Com as devidas ressalvas ao Kuyper, não podemos ignorar essa graça comum. “Presente de alguma forma em todas as culturas, existe uma revelação geral ou graça comum – um conhecimento não salvífico e com traços de Deus que ele concede a todos os que carregam sua imagem. Essa revelação não é salvadora. Não revela Jesus ou o que ele fez por nós, pois isso só pode ser conhecido por meio da revelação especial da Bíblia. Mas existe um conhecimento geral de Deus, uma vez que ele revela a todos um pouco de sua verdade e sabedoria[2]”.

8) Fazem dicotomias perigosas entre a relação do sagrado e secular. Pelo fato de terem vivido a vida intensamente, categorizam tudo como santo ou mundano. A vida para a glória de Deus (1 Co 10.31), se resume às ações de espiritualidade privada, como oração, jejum e leitura bíblica, mas não conseguem aplicar e enxergar o sagrado na vida profissional, estudos, família e sociedade. A vida cristã se torna empobrecida com essa separação;

9) São críticos contumazes em busca de “igualdade”. C.S. Lewis contribui dizendo que “a exigência de igualdade nasce de duas fontes. Uma é das mais nobres, a outra faz parte das emoções humanas mais inferiores. A fonte nobre é o desejo de justiça, mas a outra é o ódio à superioridade[3]”. Tais pessoas vivem num clima constante de divisão por não encontrarem um padrão que corresponda suas exigências;

10) Vivem em função de encontrar falhas no próximo. O alimento do justiceiro é descobrir os pecados ou supostos erros alheios para retroalimentar suas falhas ou se vangloriarem de seus acertos.

Julgar é bíblico, mas quando exercemos isso sem piedade, manifestamos a famosa justiça própria. Fujamos disso, pois tal prática nos leva à uma vida carregada de cinismos.

Notas 

[1] KELLER, Timothy. Pregação. São Paulo: Editora Vida Nova, 2017.

[2] KELLER, Timothy. Igreja Centrada. São Paulo: Editora Vida Nova, 2014, p. 130.

[3] LEWIS, C. S. Ética para viver melhor. São Paulo: Editora Pórtico, 2017, p. 590, Kindle Edition.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *