Michel Augusto

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9 acusações dos liberais em relação aos conservadores

Por Michel Augusto

A história da igreja é recorrente, com um ciclo notável entre conservadorismo, neo ortodoxia e liberalismo. A reforma protestante e os pressupostos da teologia reformada estão sendo tratados de forma pujante no Brasil com uma adesão fora do comum, numa espécie de reavivamento bíblico. No entanto, é necessário estar atento ao próximo movimento que vem chegando, e o meu temor é que isso ocorra com a juventude empolgada. Assim sendo, listei 10 tópicos que são verdadeiros clichês contra os conservadores.

1. A Bíblia é um papa de papel. Uma afirmativa desprovida de piedade e com pressupostos desonestos. Etta Linneman, ex-aluna de Bultmann, que se converteu, afirma que “os pressupostos críticos carecem de provas”.  São ditos malditos. 

2. A história da igreja nada mais é do que uma briga filosófica entre Platão e Aristóteles. Na história do pensamento cristão de Paul Tillich, há afirmativas nesse sentido. O problema é que a função da teologia nesse processo é desmerecida e a doutrina é tratada como meros dogmas. 

3. Você é de Paulo, eu sou de Jesus. A leitura bíblica e sua respectiva interpretação no evangelicalismo atual, com influência da teologia social, tem desmerecido a relação entre a teologia de Jesus e Paulo. O que Paulo recebeu, repassou. A terminologia usada por ele não cria dicotomia com os Evangelhos e a teologia da aliança de toda a Escritura.

4. A reforma se tornou tão presa à dogmática quanto a igreja Romana. O primado da reforma foi a inversão romana quanto à dogmática. No entanto, a tradição não morre nesse processo. Se torna um meio pedagógico e catequético para o povo de Deus.

5. Vocês são bibliólatras. Quem nunca ouviu esse tipo de acusação? Quando falamos em Calvino por exemplo, nos remetemos à um reformador que levou a sério a relação da Bíblia, o povo de Deus e o pregador. Calvino adotou o conceito petrino quanto à superioridade da Palavra de Deus descrito na segunda epístola (1.16-21), especificamente o descrito no versículo (21), quanto à fonte da profecia, o Espírito Santo, fazendo delas a autoridade final em termos de fé e prática. 

6. Deus não está preso às Escrituras. Trabalhar a revelação geral sem se apegar à específica pode nos conduzir a caminhos tortuosos. Como conheceremos a Deus e sua salvação sem as Escrituras? Calvino nos lembra que “era necessário testificar aos ouvintes que a doutrina que pregavam não era palavra dos apóstolos, mas do próprio Deus, não uma voz nascida da terra, mas procedente do céu[1]”.  

7. A predestinação é uma criação filosófica.Eleição faz parte de toda a linguagem escriturística. Não foi uma invenção Paulina. O uso de terminologias do contexto cultural não interfere no centro do pensamento da história da redenção.

 8. Um seminário deve ter autonomia iluminista no conhecimento.autonomia é oriundo do pecado original. Logo, o nosso conhecimento é redentivo. A nossa cosmovisão e interdisciplinaridade partem das Escrituras, que nos dizem sobre criação, queda e redenção. A autonomia da academia não é libertadora, mas escravizadora, pois subordina a teologia às demais disciplinas, quando deveria ser o contrário.

 9. Vocês querem “cercar” o povo assim como os romanosA graça é libertadora. O que ensinamos nos prende a Cristo e sua Palavra. A tradição nos ajuda a evitar o relativismo e nos leva a viver a nossa fé de forma honesta.

  Após um maravilhoso avivamento bíblico, pode vir um desastroso esfriamento liberal. Sendo assim, vamos cuidar das nossas comunidades, seminários e projetos paralelos ao sistema eclesiástico, para que os contos e flechas inflamadas do liberalismo não cause os estragos de outrora.

Notas 

[1] CALVINO, João. Institutos da Religião Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, vol. 2, p. 159.

 

 

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