Michel Augusto

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O Dia da Bíblia e os seus Inimigos

Por Michel Augusto 

            No segundo domingo do mês comemora-se o dia da Bíblia. É o livro mais vendido no mundo e muitas vezes o menos lido e praticado. Trata-se da Palavra de Deus para uns e num livro puramente humano para outros. Sendo assim, queria destacar alguns aspectos dos inimigos da Bíblia:

  1. Lêem, ouvem e não a praticam. São pessoas que a carregam nas mãos e não no coração. Tiago (1.22, RA) destaca essa prática, nos ensinando que a ortodoxia não pode ser desvinculada da ortopraxia.

  2. Não a lêem de forma alguma. São presas fáceis dos falsos mestres. Tanto a Segunda Carta de Pedro como a de Judas destacam a ação dos falsos profetas. O texto de Judas (v.3, RA) destaca a necessidade de “batalharmos diligentemente, pela fé que uma vez por todos foi entregue aos santos”. Essa batalha envolve a necessidade de uma apologética bíblica no contexto atual de pluralismo religioso e relativismo.

  3. Membresia negligente quanto ao estudo através das escolas bíblicas e cursos em geral. A negligência acontece também em igrejas que dão ênfase ao ensino. Há muitas comunidades e pastores dedicados e preparados para o ensino, que se deparam com um povo desinteressado em sugar esse conhecimento.

  4. Pastores e líderes que não se submetem ao preparo teológico, como se teologia tratasse de outra coisa. O ensino bíblico-teológico ainda é algo muito marginalizado. Mesmo em denominações históricas verificamos o abandono dessa exigência. O interesse de muitos pelo estudo teológico é meramente para conseguir um ofício pastoral, mas logo após a ordenação e posse em alguma igreja, criam uma dicotomia entre teologia e igreja. É uma proeza!

  5. Os que querem ensinar sem passar pela escola. O cúmulo da prepotência não é estudar muito, mas querer ensinar sem se submeter ao ensino. As redes sociais estão cheias de supostos mestres do ensino, mas totalmente insubordinados com o que falam.

  6. Os que a consideram um livro puramente humano. Pedro (2 Pe 1.21, RA) destaca que o Espírito Santo é a fonte das Escrituras. Elas são inerrantes, inspiradas e autoridade final em termos de fé (doutrina) e prática. Se fugirmos disso, cairemos no liberalismo teológico.

  7. Os que tentam desconstruí-la pelo método histórico-crítico. Sob o argumento de que a Bíblia deve ser provada à luz da metodologia científica, esse grupo de estudantes tentam desconstruir os argumentos históricos gramaticais defendido pelos reformadores, através da arqueologia e métodos exegéticos que desconsideram a Bíblia como a viva voz de Deus. Etta Linemann, que foi discípula de Rudolf Bultmann saiu desse sistema e aborda em suas obras que o respectivo método tem dificuldades de provar os seus pressupostos.

  8. Os que a usam como pretexto e fora do contexto. A teologia da pregação em Calvino parte necessariamente da sola scriptura. É uma condição sine qua non para a exposição no púlpito que ela seja centrada no texto. E além disso, parte do pressuposto que “é, em primeiro lugar. É a Palavra pregada que o Espírito Santo usa de maneira singular para dar vida e produzir fé na alma de uma pessoa[1]”. Assim sendo, não há como pensar numa pregação que não seja escrituristicamente bíblica e que não tenha primazia no culto cristão.

  9. Os que a colocam em posição de inferioridade à doutrina da igreja. O pré-reformador Jan Huss considerava as Escrituras “como lex Dei, contrastando com as leges humanas provenientes do Papa. Assim, as Escrituras são tratadas como um fonte divinamente concedida da lei, superior aos determinados pela igreja[2]”.

Assim sendo, que neste dia e em todos os demais, tenhamos a Bíblia como Palavra Deus, isto é, a viva voz do Senhor proclamada através de uma pregação diligente e centrada em Cristo. Que a igreja e seus ministros se dediquem mais ao ensino e prática desse manual de vida eterna.

Notas

[1] DEVER, Mark; GILBERT, Greg. Pregue. Quando a teologia encontra-se com a prática. São José dos Campos: Editora Fiel, 2016, p. 50-51.

[2] MCGRATH, Alister E. Origens intelectuais da reforma. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 149.

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