Michel Augusto

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10 Lições dos meus 15 anos de pastorado

Por Michel Augusto 

O tempo passa rápido! Outro dia estava começando o ministério pastoral, com expectativas apaixonantes e com uma vontade enorme de pregar o Evangelho e cumprir a missão de Deus através de Cristo. Sei que tenho muito a aprender e que quinze anos é uma fase intermediária ministerial, mas que me trouxe pelo menos 10 lições preciosas que queria compartilhar com vocês. Senão, vejamos:

  1. A missão, antes de tudo, é de Deus. Somos tentados a achar que a missão é puramente humana. Há um esforço pessoal, mas Ele em Cristo é o autor da fé e sustentador da missão. Lembrem-se sempre dos dizeres na grande comissão (Mt 28);
  2. A missão deve ser cristocêntrica. Uma missão antropocêntrica é perigosa e tem levado muitos a buscarem o sucesso, fama e poder, usando o nome de Cristo, apenas;
  3. A missão precisa ser marcada pela exposição das Escrituras Sagradas. O púlpito não pode ser terceirizado. Uma vez ou outra podemos convidar ministros sérios e comprometidos com as Escrituras para dividir o púlpito, mas o pastor da igreja é o que tem o dever de se preparar para alimentar o rebanho de Cristo. Igrejas com uma “cardápio” eclético de pregadores entram em confusão bíblica e teológica e se tornam consumidoras de um produto, se afastando assim do Evangelho de Cristo. Fomos chamados para o ministério da palavra e oração (At 6) e não podemos terceirizar isso;
  4. A missão é interligada ao ensino. Certa vez ouvi um pastor dizendo: “sou mais pastor do que professor”! Bom, fiquei espantado, pois diante do texto de Efésios 4, somos pastores e mestres. A função pastoral é indissociável da habilidade e zelo do mestre. O ensino fazia parte do ministério de Jesus em todos os aspectos, até mesmo quando operava milagres e maravilhas, Ele transmitia a pedagogia do Reino de Deus e seus aspectos futuros;
  5. A missão carece de dependência constante do Senhor da obra. Somos tentados a viver independentemente do Senhor. A habilidade e a perícia induzem o homem a se tornar arrogante e a achar que as coisas acontecem em virtude da boa oratória, conhecimento puro ou estrutura física e financeira da igreja. O senso de total incapacidade deve tomar conta das nossas vidas, para que não vivamos de forma autônoma, como é característico da cultura occidental e resquícios do iluminismo e idade moderna.
  6. A missão precisa de continuidade. Projetos começam vigorosamente, mas tendem à estagnação com o tempo. O ardor ministerial começa com muitas expectativas, mas paulatinamente as dificuldades e lutas geram um desânimo. A vida de muitos é resumida em começar projetos e abandoná-los no meio do caminho. Isso acontece também na vida ministerial. Muitos trilham como aventureiros e não como missionários de uma nobre missão;
  7. A missão precisa de graça e obediência. O antinomismo é um fator perigoso no meio pastoral. Somos salvos pela graça, mas para viver uma vida de santidade (Ef 1.4). Uma vida pastoral com doutrina, mas sem aspectos práticos de piedade pessoal, gerarão transtornos para o ministro e igreja, podendo resultar em escândalos e ruína. Ninguém caminha muito tempo na vida pastoral sem graça e obediência;
  8. A missão precisa de uma senso de visão. A missão é a razão da existência e a visão é o olhar para o futuro com vistas a cumprir a missão. Bom, tudo o que projetamos pode cair por terra, pois Deus é Soberano em tudo e todos, mas não é por isso que deixaremos de organizar os projetos igrejeiros, missionais ou acadêmicos de um seminário teológico, por exemplo. Visão sem missão é mero empreendedorismo e missão sem visão pode se tornar um belo projeto sem consecuções de futuro. Não somos empresários da fé e também não podemos ser pastores que tratam das questões do Reino de Deus de forma amadora;
  9. A missão requer um senso de construção histórica. Não fomos chamados simplesmente para deixar um legado, pois não somos somente homens públicos e isso seria muito vanglorioso para servos que vivem para a glória de Deus (1 Co 10.31). Mas ao mesmo tempo, sabemos que temos que deixar marcas do Evangelho na família, igreja, comunidade local, cidade e sociedade. O histórico ajuda muito na proclamação e envolvimento da cidade com a igreja de Cristo. Muitas cidades são impactadas negativamente com escândalos e isso as afastam das igrejas;
  10. A missão requer uma família comprometida com o Reino. Já vi muitas igrejas sendo arruinadas pelo contexto familiar pastoral. A esposa do pastor não necessita ser a “mulher mais espiritual” da igreja, mas uma pessoa compreensiva, não ciumenta, amorosa com o povo de Deus e comprometida com a causa do Evangelho. O pastor não precisa de uma pastora ao seu lado, mas de uma mulher, auxiliar e que saiba o momento certo de falar, agir e se comportar diante dos desafios diários da igreja.

Por fim, teria outras centenas de palavras para falar, mas creio que os 10 pontos, apesar de não exaurir o tema, resumem o meu histórico nesses 15 anos de ministério pastoral. Graças ao meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, que me proporcionou chegar aqui. Soli Deo Gloria.

 

 

 

 

 

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