Michel Augusto

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Breves Reflexões Teológicas | 10 Atitudes de Pessoas Decepcionadas com a Igreja

Vivemos num contexto indefinido intitulado de pós-modernidade. Período incerto, pois tudo o que vem depois da modernidade ainda é objeto de estudo e análise em todas as áreas do saber, inclusive na teológica. “A cultura onde tudo é permitido, em que a tolerância é a principal virtude e em que o direito da pessoa de escolher seu próprio estilo de vida precisa ser respeitado acima de tudo[1]”, é o ambiente ocidental do hemisfério norte que influencia todas as nações indiretamente. No contexto igrejeiro, o sentimento ocidental é vivido no vies da decepção. Senão, vejamos:

Por Michel Augusto

  1. Um sentimento comum para quem se decepcionou com pessoas na igreja é a hostilidade. Diante da decepção, o sentimento da cultural ocidental, fruto da queda original, reaviva, infectando o corpo de Cristo com uma cosmovisão não bíblica de relacionamento interpessoal;
  2. Pessoas hostis frequentam a igreja, trabalham em alguma área, mas se tornam desigrejadas ao deixarem de viver a cristandade na coletividade. “Na perspectiva ocidental, a vida espiritual é basicamente uma atividade privada, um assunto para a mente da pessoa[2]”;
  3. Perdem a paciência com o próximo e se tornam críticos contumazes. A frieza é tão forte que a exortação das Escrituras Sagradas é ignorada. T. L. Parker nos lembra que para Calvino, “o que as Escrituras nos ensinam, devemos aceitar sem discussão ou redução[3]”.
  4. Pessoas feridas se tornam uma bomba ambulante ao exalarem uma aparente liberdade fora do corpo de Cristo;
  5. A decepção gera um sentimento perigoso de autonomia, indiferença e até mesmo leviandade para com os irmãos em Cristo;
  6. As amizades fora do corpo de Cristo se tornam mais “sinceras” e geram um sentimento falso de segurança, pois afinal, “na igreja só existia falsidade”;
  7. O prazer pelas coisas de Deus é substituído pela empolgação com a cultura do mundo, carne e diabo;
  8. A decepção gera um tipo de cinismo onde a pessoa só se “firma” em Cristo e no seu corpo quando o problema, a doença e a sangria da vida alcançam-na. Aí correm, pedem oração, voltam a orar, choram. Mas ao resolverem o problema, voltam para o caminho da hostilidade.
  9. Pessoas assim vão à igreja para cumprir o protocolo, escala de trabalho ministerial e viver o desencargo de consciência igrejeiro;
  10. Decepcionados estão de bem com vida, bem resolvidos na autossuficiência. Sabem tudo, pois encontraram a verdadeira vida: substituir o culto pelo encontro com os “verdadeiros amigos”;
  11. Que o Senhor tenha misericórdia e nos faça retornar para o lugar da cristandade. Que o sentimento de superioridade seja abandonado. Que os justificados por Cristo vivam a parte prática da Carta de Paulo aos Romanos (15.7): Portanto, aceitem-se uns aos outros como Cristo os aceitou, para que Deus seja glorificado.

[1] GOHEEN, Michael. Introdução à Cosmovisão Cristã. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016, p.181

[2] GOHEEN, 2016, p. 182.

[3] PARKER, T. H. L. Os Oráculos de Deus. Uma Introdução à Pregação de João Calvino. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2016,  p. 50.

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