Michel Augusto

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O Senso do dever cumprido e a sensação horrível de “Nadar contra a Maré”

Nada melhor do que dormir com a consciência cristã tranquila! Dormir? Tem certeza? Após uma semana de ensino na igreja ou na faculdade teológica e um final de semana de exposições do Evangelho de Cristo, vem um sentimento de dever cumprido, mas ao mesmo tempo, uma sensação horrível de um desafio contínuo de “nadar contra a maré”. A pressão aumenta! Mesmo sabendo que a graça sempre estará conosco (2 Co 12.9), ou seja, que Ele não nos deixa na missão, é natural que sintamos a pressão e a responsabilidade do pastorado e ensino. O sentimento existe devido à alguns fatores. Senão, vejamos:

Por Michel Augusto

  1. Outras vozes. As inúmeras mídias proliferam múltiplas vozes ditas “evangélicas”. As ovelhas de Cristo comem alimento saudável no domingo e ficam expostas à um verdadeiro bombardeio durante a semana. É necessário que durante a semana tenhamos um programa de desintoxicação para ir corrigindo os efeitos das toxinas que permeiam.
  2. Problemas da vida. A mensagem do Evangelho não é uma caixinha de promessas para que todos os nossos problemas sejam resolvidos. Sendo assim, mesmo aplicando o sermão, deixando claro que as Escrituras são suficientes e que a graça nos basta (2 Co 12.9), independente do que estejamos vivendo, existe uma tentação de procurar atalhos para respostas rápidas.
  3. Saindo do centro. O ponto chave para o entendimento do Evangelho é o toque da centralidade de Cristo (Rm 5.1-11) e a suficiência das Escrituras (2 Tm 3.14-16). O homem sai de cena e é confrontado diariamente com uma mensagem que exalta a soberania divina, trazendo prejuízos no tocante ao próprio ego. A felicidade do reino (Mt 5) quebra o protocolo da proposta deste mundo e suas mazelas temporárias. Sair do centro é o desafio diário do crente em Jesus Cristo, e isso custa a própria vida em contraposição à uma cultura que coloca o homem no centro de tudo. Enfim, somos refeitos em Cristo!

O cansaço ministerial pode vir quando a dinâmica do Evangelho passa desapercebido no ativismo religioso igrejeiro. Após a exposição e aplicação do Evangelho ao contexto atual, resta uma responsabilidade de viver, de unir doutrina e prática. Essa ação continua faz do corpo de Cristo algo perceptível ao mundo e gera uma igreja madura, fazendo com que o “nado contra a maré” se torne algo coletivo e não restrito ao pastor ou liderança. Isso ajuda bastante no processo!

 


Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando e Mestre em Teologia pelas Faculdades EST – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Direito e Teologia.

É professor de Teologia Pastoral na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastor da Igreja Batista Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Pastoral (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

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