Michel Augusto

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Bíblia, tradição e história

Por Michel Augusto

        Todos nós temos um senso de curiosidade histórica. Tomemos como exemplo um filho adotivo que ao ser informado da adoção, expressa o desejo de conhecer as suas origens. Mesmo tendo sido bem cuidado e amado pelos pais adotivos, o adotado não se satisfaz e começa a cavar suas origens. Assim deveria ser o cristão. Digo deveria ser, pelo fato de não ser. A maior parte da igreja evangélica brasileira pouco se preocupa com história e tradição. A Bíblia está acima da tradição, e isso foi uma vitória da reforma protestante, mas a tradição não pode morrer, pois através dela é que conseguimos montar a árvore genealógica do pensamento cristão, dentro do contexto bíblico e da história da igreja propriamente dita. Sendo assim, os seguintes pontos, caso negligenciados, trarão muitos prejuízos para o povo de Deus:

  1. Bíblia. O conhecimento bíblico é a principal fonte de conhecimento para o cristão em toda época. É a bússola da fé, como autoridade final em termos doutrinários e práticos. Fundamento e vida não podem ser desvinculados dessa Verdade (2 Tm 3.14)
  2. História. O conhecimento histórico nos ajuda na própria compreensão da Palavra de Deus, pois a narrativa bíblica inspirada por Deus está carregada de historicidade intrínseca e que trouxe desdobramentos para a própria história da igreja. Sem compreender a história de Israel e da igreja, o cristão se torna um decorador de textos, sem conexão, assim como a desconexão de um emaranhado de fios descobertos.
  3. Tradição. Começa nas páginas das Escrituras Sagradas, pois o pensamento cristão se desenvolve a partir de personagens bíblicos, cujo protagonista é o Cristo ressurreto. Mas desencadeia-se no curso do crescimento e consolidação da igreja até os dias de hoje. A tradição não tem o mesmo valor do texto bíblico em si, mas abaixo do mesmo tem um valor sistemático que organiza as ideias doutrinárias, criando um senso organizacional da fé.

          A tradição protestante reformada, especificamente, é atacada pelo fato da mesma conter disposições da fé bíblica e objetiva. Ela não tem o objetivo de ser perfeita, pois senão cairia no mesmo erro católico romano de paridade, mas reivindica ser mais centrada nas Escrituras, no Cristo ressurreto e demais pontos. É notório que o subjetivismo e espiritualidade evangelical atual tem dificuldade de se submeter à herança da tradição reformada como cosmovisão, mesmo porque tudo que envolve objetividade e proposições sistemáticas serão atacadas pela liquidez do mundo pós-moderno. Pelas Escrituras Sagradas! Pela tradição! Pela história. Soli Deo Gloria.

 

Sobre o autor

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando e Mestre em Teologia pelas Faculdades EST – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Direito e Teologia.

É professor de Teologia Pastoral na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastor da Igreja Batista Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Pastoral (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

 

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