Michel Augusto

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O ir e vir da teologia: entre o privado e o público

Reflexão Teológica

Por Michel Augusto

A teologia nasce no campo privado, ou seja, no contexto da igreja e respectiva fé cristã, mas se torna pública, pois a fé bíblica parte de uma cosmovisão que circula na sociedade e cultura. Neste contexto, quais seriam os desafios de sair do campo privado e cumprir o mandato público?

  1. O desafio de se fazer uma cosmovisão bem definida. Sair do privado (igreja) e ir para o campo público (sociedade e cultura) requer que se tenha um ponto de partida bem delimitado. Em qual sentido? Quando a fé bíblica interage fora das quatro paredes, encontra outras visões e disciplinas e assim sendo, precisa ir e voltar, isto é, deve entrar na cidade, na cultura, mas deve voltar para a comunidade cristã. Voltar significa que a fé é objetiva, proposicional e bíblica e não subjetiva, experencial e religiosa.

  1. Honestidade e transparência teológica. Sair do privado e ir para o público requer do pastor e teólogo um labor honesto e transparente. Em que sentido? A honestidade e transparência se dá quando o público atingido entende aquilo que estamos apresentando, sabem de onde estamos vindo e o que queremos. A interação da igreja com sociedade não pode ser obscura, no sentido de um diálogo abstrato e solto, mas deve acontecer num processo evangelístico com objetividade bíblica. No campo acadêmico, é preciso que os debates sejam feitos, mas que os debatedores saibam o que o outro pensa e defende. Que os teólogos protestantes defendam suas dissertações e teses, mas deixando claro o ponto de partida, a metodologia de pesquisa adotada e as definições ministeriais de forma transparente, cumprindo o mandato público, sem contudo, desprezar o nascedouro da rainha das ciências.

A fé cristã precisa ter um ponto de partida definido, conforme a epistemologia bíblica-teológica, a qual trata as Escrituras Sagradas como revelação divina. Nesse sentido, a necessidade atual é que a teologia saia da margem, mas para que isso aconteça, os teólogos precisam assumir a teologia privada (interna) como ponto de partida para o labor público, no processo contínuo de ida e vinda, do privado para o público e do público para o privado.

Sobre o autor

Michel Augusto é pastor e teólogo. Doutorando e Mestre em Teologia pelas Faculdades EST – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Direito e Teologia.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastor da Igreja Batista Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Pastoral (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

 

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