Michel Augusto

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A agenda feminista evangélica é um tema secundário para fé cristã ?

Entrevista fictícia com Wayne Gruden

Entrevistador: Michel Augusto

M: Dr. Gruden, bom dia. Ficamos felizes em poder contar com a rica contribuição do irmão para um assunto tão importante para a igreja. Qual é alegação feminista evangélica quanto ao tema dessa entrevista?

Gruden: Bom dia. Espero contribuir para essa entrevista. A alegação feminista evangélica é igualitarista. Eles dizem que este tema não é uma questão central nem uma das principais doutrinas e que devíamos parar de contender sobre isso. Alegam também que diferentes visões e práticas existam na igreja e que venhamos concordar quanto aos ministérios mais importantes para um mundo necessitado, ferido e perdido.

M: A alegação feminista evangélica passa pelo discurso de que Paulo não tinha as mesmas preocupações ideológicas que os leitores atuais. Como resolver isso?

Gruden: Michel, lembro-me de uma declaração de Ann Brown que dizia que “a igreja estava ocupada demais na propagação do Evangelho para se preocuparem com as tarefas das mulheres em suas igrejas. Disse também que temos somente respostas dogmáticas para o assunto. Resolvemos essa questão assumindo autoridade das Escrituras para os dias atuais.

M: A resposta ao feminismo evangélico seria apenas dogmático, como propõe Ann Brown?

Gruden: O anti-dogmatismo é um posição liberal, mas não precisamos entrar nesta questão para firmar um contraponto. Basta entendermos que a questão fundamental por trás dessa controvérsia é a obediência à Bíblia. A alegação igualitarista resulta na rejeição da autoridade da Bíblia sobre as nossa vidas.

M: A alegação feminista é que algumas passagens de Paulo não se aplicam hoje ou que certos versículos não são verdadeiramente parte da Bíblia. O que a posição conservadora afirma?

Gruden: Os feministas evangélicos afirmam que as Epístolas do Novo Testamento eram descritivas em vez de prescritivas, isto é, o que estava acontecendo no primeiro século não devemos fazer hoje e que não devemos obedecer o que o Novo Testamento ordena, mas o objetivo final da trajetória do mesmo. Mais uma vez isso demonstra que o que está em jogo nessa controvérsia é a autoridade da Bíblia. O perigo é que as visões populares da cultura podem gerar um sistema de descrença aos princípios morais das Escrituras, ocasionando até na liberação de ordenação pastoral homossexual.

M: Esse assunto sobre homens e mulheres e funções bíblicas é de importância secundária?

Gruden: Olha, o ensinamento bíblico sobre homens e mulheres tem um forte impacto nos casamentos, nas famílias e nos filhos à medida que eles desenvolvem a percepção da identidade de gênero. Além disso, fora do ambiente da vida familiar individual, o feminismo na nossa sociedade, com a sua sistemática negação dos papéis bíblicos para homens e mulheres, tem influenciado grandemente nosso sistema educacional, leis, mídia, linguagem, forças armadas e expectativas quanto à moralidade sexual, influenciando o que pensamos de nós mesmos e como nos relacionamos como homens e mulheres. Enfim, não é um assunto secundário como propõem os feministas.

M: Qual tem sido o efeito dessa tendência nas denominações protestantes que decidiram pelo igualitarismo?

Gruden: Você foi generoso. Trata-se de denominações que se tornaram liberais. Pesquisas feitas por Lyle E. Schaller, “dizem que em algumas denominações liberais estão praticamente privadas de homens”. O efeito prático é que o feminismo evangélico se torna uma orientação política que é imposta para que haja uma abertura harmoniosa, mesmo que contrária à Escritura.

M: Os feministas alegam que há algumas doutrinas sobre as quais os crentes podem “concordar em discordar”, como os detalhes sobre o final dos tempos. Isso se aplica à agenda feminista evangélica?

Gruden: Boa pergunta! Vamos lá. Os crentes podem diferir em assuntos como esses porque não envolve a rejeição da autoridade da Escritura por nenhum dos lados e também porque as diferenças não tem efeito significativo sobre como vivemos ou sobre como as nossas igrejas funcionam. A consequência em algumas denominações americanas tem sido uma exigência à submissão à liderança feminina. Isso nos ensina que a agenda feminina evangélica é ideológica.

M: Devemos cessar os debates?

Gruden: Os igualitaristas dizem que os crentes devem “parar de contender” sobre essa questão, porque deixar a contenda significa silenciar toda e qualquer crítica à visão igualitarista e deixar que essa posição ganhe aceitação na igreja. Ao chamarem a crítica à visão deles de “contenda”, querem dar a entender que aqueles que os criticam estão agindo errado (quem deseja apoiar uma contenda?). O uso do termo “contender” é apenas para distorcer negativamente aquilo que pode ser muito bem uma crítica bastante saudável e piedosa de uma posição incorreta.

M: Professor, muito obrigado pela entrevista. Que Deus o abençoe nessa jornada.

Gruden: Estou à disposição. Abraços.

Notas bibliográficas

GRUDEN, Wayne. Confrontando o Feminismo Evangélico. Respostas bíblicas para perguntas cruciais. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2009, p. 172.

 

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