Michel Augusto

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Cinismo Teológico

Breve reflexão

Por Michel Augusto

             Não há nada mais desesperador do que se deparar com pessoas cínicas. O cinismo está espalhado por todos os lados. Na política, religião, sociedade e comunidade podemos observar  esse tipo de postura. A imagem de uma pessoa cínica é sempre de indiferença e uma postura desdenhosa com tudo ao redor. Pessoas cínicas levam tudo na brincadeira, e agem como se tudo fosse muito fácil de resolver. No meio teológico temos essa figura estampada em pessoas que não se definem ou que se camuflam através de uma crítica generalizada a tudo. Teólogos cínicos transmitem um sentimento de insegurança, pois o posicionamento teológico é sempre aberto a tudo. Queria listar algumas características do cinismo teológico:

  1. Mentalidade aberta a tudo. O “fazer teológico” envolve um grau de cosmovisão, mesmo porque vivemos no contexto onde a graça comum do Senhor é manifesta. No entanto, a teologia deve “ir e vir”, no sentido de que ela pode e deve ir ao encontro da sociedade e cultura, mas deve voltar ao campo de concentração.

  1. Metodologia indefinida. O “fazer teológico” não pode ser uma prática com metodologias indefinidas. Uma teologia “solta” é um ambiente fértil para a desonestidade no discurso. Pessoas bem definidas deixam ser entendidas e isso gera um clima de honestidade, mesmo que haja discordância quanto à alguns temas. Debates teológicos são necessários e podem ser frutíferos desde que os debatedores não sejam camuflados e indefinidos. É certo que existem temas difíceis de serem tratados e o denominador comum talvez não seja alcançado, mas mesmo assim, devemos nos posicionar através de alguma metodologia interpretativa, para não sermos considerados uma “bomba surpresa”.

  1. Postura obscura. O “fazer teológico” não consiste numa tentativa de desvendar todos os mistérios e dar respostas para tudo, no entanto, não pode partir do pressuposto obscurantista, onde tudo se torna sombrio diante de diversidades teológicas encontradas na Bíblia. A unidade na diversidade dos autores bíblicos é o pressuposto da sistematização e cristalização das temáticas descritas nas narrativas da revelação de Deus ao seu povo.

  1. Relativismo. O “fazer teológico” pode se tornar uma atividade perigosa quando a postura relativista assume o enredo. O cinismo teológico acontece nesse ambiente ardiloso onde as respostas são: “pode ser”, “talvez”, “quem sabe”. É certo que em determinadas matérias iremos encontrar dificuldades, mas a postura relativista é sempre no sentido de que “há controvérsias”. A verdade se torna uma resposta apenas dogmática. Essa postura anti-dogmática, ensina que os temas bíblicos não podem ser sistematizados e cristalizados num contexto cristocêntrico.

A igreja de Cristo não precisa desse tipo de teologia cínica que não esclarece e não traz luz ao povo de Deus. Uma teologia obscurantista só traz dúvida e insegurança. Kuyper nos adverte que “uma teologia sem a autoridadde das Escrituras é impotente. Uma teologia como essa é semelhante a uma represa cedendo diante do primeiro assalto da maré invasora[1]”.

 

Notas Bibliográficas

KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2. ed., 2014.

Sobre o autor

Michel Augusto é pastor e teólogo. Doutorando e Mestre em Teologia pelas Faculdades EST – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Direito e Teologia.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastor da Igreja Batista Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Pastoral (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

 

[1] KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2. ed., 2014.

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