Michel Augusto

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Desafios do ministério pastoral no século XXI

Breve reflexão teológica

Por Michel Augusto

Parabéns a todos os pastores e mestres! Que o Senhor com sua infinita graça e misericórdia possa fortalecer a cada arauto do Rei Jesus espalhado na face da terra. O pastorado é um ofício árduo e historicamente enfrenta inúmeros desafios. No entanto, a história é cíclica e recorrente. Desafios enfrentados outrora podem voltar e produzir estragos na atualidade. O pastor deve estar atento às novas tendências sociais, culturais, políticas e teológicas para que possa fazer uma ponte entre a Bíblia e o mundo contemporâneo. Sendo assim, segue alguns desafios para a pastoral do século XXI:

Desafio 1. Trabalhar o contexto contemporâneo, enxergando a Bíblia como Palavra de Deus e não como um conjunto de dogmas. A tendência atual é um retorno direto e indireto ao liberalismo teológico. O relativismo cultural infiltrado em muitas pastorais atuais tem um discurso anti-doutrinário, deixando a sutileza de que alguns assuntos trata-se de dogmas. Qualquer debate que se trava tem uma defesa do tipo: “Isso é dogma”. O perigo dentro dessa perspectiva é que “tudo” pode virar dogma e a Bíblia deixa de ser normativa para o século XXI;

Desafio 2. Transmitir segurança para a igreja e instituições denominacionais. O pastor supremo da Igreja é Jesus Cristo, que governa Sua igreja de forma soberana. O co-pastor da igreja local não pode ser considerado o herói da congregação ou o infalível homem da batalha. No entanto, precisamos transmitir segurança para a comunidade! Pastores inseguros quanto à doutrina, que se envolvem em toda e qualquer ventania de novidades, geram um sentimento de insegurança no povo de Deus. As pessoas se perguntam: “Qual será o próximo movimento e visão que ele vai trazer?” Pastores que não tem firmeza na sã doutrina deixam a igreja na berlinda e vulnerável aos ataques de falsos mestres. A igreja não precisa de um super-pastor, mas de um homem-pastor firme, pois isso traz tranquilidade e paz na comunidade. A sensação de desespero e insegurança pode desestabilizar e prejudicar a igreja e instituições correlatas;

Desafio 3. Ser pastor e mestre na congregação. A falta de uma boa formação teológica tem gerado muitos pastores e poucos mestres. Quando isso acontece, a igreja fica à mercê de uma salada teológica advinda de pregadores e pseudo-mestres práticos que ao invés de aprender para ensinar, ensinam para aprender. A confusão que se instaura na congregação gera um povo fraco nas concepção bíblica e teológica. Se uma igreja bem doutrinada já desfruta de problemas com pessoas que querem viver a fé somente do ponto de vista da experiência, imagine quando não há uma preocupação com fundamentos?  Ser pastor e mestre pode gerar algumas tensões, pois o povo como sacerdócio santo tem dificuldades em reconhecer o ofício pedagógico do pastor, mas tal aspecto pode ser vencido com a exposição de motivos descritas na Carta de Paulo aos Efésios 4 quanto à necessidade do ofício de pastor e mestre.

Desafio 4. Ser mestre e pastor. O pastor tem quer ser mestre e o mestre tem quer ser pastor. Os estudos, atualizações teológicas e a continuação acadêmica pode fazer parte do pastorado, mas não pode haver um distanciamento entre o pastor e o rebanho de Cristo. Esse afastamento pode se dar como fuga diante dos inúmeros problemas que o pastor enfrenta com a congregação, ou pelo vislumbre intelectual. A vida acadêmica do pastor deve ter como objetivo principal glorificar a Cristo (1 Co 10.31) e servir de instrumento para o povo de Deus diante dos desafios pós-modernos. Caso o academismo teológico pastoral não sirva para esse propósito, o que pode acontecer é um desligamento da igreja e teologia, como é recorrente na história da igreja.

Poderíamos citar inúmeros desafios atuais, mas esse breve insight nos permitiu tratar apenas de quatro aspectos. Que nesse dia possamos refletir na função pastoral-mestre, para que a nossa pastoral não seja mutilada pelos conceitos heterodoxos da pós-modernidade. Que a função pastoral não seja desvencilhada do mestre e vice-versa.

Michel Augusto é pastor e teólogo. Doutorando e Mestre em Teologia pelas Faculdades EST – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Direito e Teologia.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Pastor da Igreja Batista Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

 

 

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