Michel Augusto

Blog

Mentalidade Socialista. Uma entrevista com Francis Shaeffer

Entrevista com Francis Shaeffer

Referente ao capítulo “formas do espírito do mundo”, da obra “igreja do século XXI”, adaptado por Michel Augusto

 

M: Rev. Francis Shaeffer, a história da igreja é cíclica, isto é, os movimentos se repetem e tem aspectos recorrentes. O liberalismo teológico e a mentalidade socialista de alguns evangélicos atuais tem atingido a igreja no século XXI. Isso não é algo novo. Diante disso, qual a contribuição que poderia nos passar para entendermos esse momento?

Shaeffer: O movimento evangélico em alguns seguimentos confunde o Reino de Deus com um programa socialista. Isso também é pura acomodação ao espírito do mundo ao nosso redor.

M: Em resumo, o que aponta o socialismo?

Shaeffer: Os socialistas apontam as estruturas sociais injustas e, especialmente, a má distribuição de riqueza, como as verdadeiras causas do mal no mundo. É uma ideia iluminista de perfectibilidade do homem mediante a remoção das cadeias culturais e econômicas.

M: Quando falamos em Reino de Deus, qual seria a distinção em relação ao socialismo?

Shaeffer: Em terminologia biblica-teológica, a queda e o pecado perdem o valor nessa estrutura socialista. Parece que a mudança nas estruturas econômicas é o meio de salvação para o homem moderno. O pecado é o problema e não há pecado maior do que a rebeldia obstinada do homem moderno a Deus e suas leis tanto no âmbito das ideias quanto das ações.

M: Quais seriam os erros dessa mentalidade socialista em relação ao Reino de Deus promulgado por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo?

Shaeffer: O erro é duplo. Trata-se de uma visão teologicamente errada que causa uma distorção fundamental do significado do Evangelho. Está igualmente errada, porém, na avaliação ingênua da redistribuição da riqueza e suas consequências. A resposta não se encontra na redistribuição socialista ou igualitária. Todas as tentativas de redistribuição radical destruíram a economia e a cultura do país onde foram realizadas, e todas as revoluções marxistas terminaram em massacres sangrentos.

M: Para concluirmos, parece que temos visto outro evangelho sendo anunciado. Isso procede?

Shaeffer: Sim, há uma acomodação evangélica quanto ao pensamento socialista. O apelo socialista por justiça e compaixão parece, a princípio, igual ou muito parecido com os ensinamentos das Escrituras acerca da justiça e compaixão. Na verdade, porem, estão falando de outro evangelho. A resposta não se encontra num programa socialista. Quando uma parcela expressiva dos evangélicos começa a confundir o reino de Deus com um programa socialista, sua atitude não passa da mais pura acomodação ao espírito do mundo desta era. É claro que a história nos fala de questões raciais e outras injustiças, às quais não poderiam ser omitidas pela igreja, mas a mentalidade socialista é aberta às ideias iluministas de Paine acerca da perfectibilidade do homem, contrastando-as com a visão bíblica da queda e perdição humana e da consequente imperfeição de todas as esferas de governo.

 

M: Reverendo, agradeço pelos esclarecimentos e espero poder entrevistá-lo em outra oportunidade. As suas respostas serão válidas para outras gerações, pois se coadunam com o Evangelho de Cristo e a respectiva história redentiva. Obrigado mais uma vez.

Shaeffer: Eu que agradeço! 

 

Notas Bibliográficas

SHAEFFER, Francis. A igreja do século XXI. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010, p. 319-321

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *