Michel Augusto

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Ciberteologia: Deus está nas Redes!

Breves Reflexões Teológicas

Por Michel Augusto

 A democratização é um fator de suma importância em qualquer ambiente. As redes sociais deram voz para quem não tinha voz, abrindo espaços para debates políticos, sociais, culturais e teológicos. A teologia está na rede! Deus em sua onipresença está on line. No entanto, temos observado que alguns temas são tratados sem um mínimo de conhecimento de causa, gerando assim, um terreno fértil para “achismos” e aventuras. Com isso, queria propor alguns limites a serem considerados no ambiente virtual:

  1. A emissão de opinião não está adstrita aos especialistas, apenas. Isso seria uma afronta ao direito de expressão e uma tentativa de dicotomizar o processo de crescimento em todos os campos da vida;
  2. Por outro lado, a formação de opinião não pode ser reduzida ao senso comum. Dois extremos precisam ser evitados: 1) Descartar a voz do povo; 2) Desprezar a figura do especialista ou pastor e mestre.
  3. O debate da teologia nas redes sociais parte do pressuposto que a mesma é um assunto do povo, e de fato é, pois a teologia nasce na comunidade cristã. No entanto, ela ganha força nos seminários e faculdades teológicas. Não podemos tirar a oportunidade da comunidade discutir a sua própria identidade, mas também não podemos anular a figura da “autoridade no assunto.” É certo também que muitos que deveriam ser mestres, por força do ofício pastoral, precisam voltar para os bancos das escolas bíblicas dominicais, mas isso é pauta para outro assunto;
  4. A internet tem sido uma oportunidade de expressão para muitos que não tinham a chance de discutir teologia na igreja e denominação, mas não pode se tornar a “terra do relativismo”. Carl Henry nos ajuda dizendo que “os meios de comunicação de massa não originaram a confusão que existe em nossa era; eles, ampliaram e pioraram a crise da verdade e da Palavra.[1]
  5. A era cibernética trouxe benefícios e prejuízos. O benefício é a oportunidade de expressão e participação em assuntos outrora restritos à cátedra. O maior prejuízo se dá quando o usuário descarta os referenciais que se dedicaram um pouco mais no tema, e numa atitude grosseira, inviabiliza o debate saudável;
  6. A função do especialista é de suma importância em todas as épocas, pois sua missão é servir a comunidade com o aprofundamento maior de assuntos tratados outrora, de forma generalista;
  7. Outra questão preocupante na teologia que está nas redes é o fator comunidade, isto é, muitos querem tratar de teologia sem possuir vínculos comunitários. A fé virtualizada é uma realidade, pois Deus está nas redes sociais também, mas desvinculada da congregação, do ambiente das ordenanças e ministérios designados pelas Escrituras Sagradas, se torna uma ortodoxia morta e perigosa;

O momento atual requer que compreendamos o valor da mídia no desenvolvimento da publicização da teologia, e isso é algo inevitável. Mas também que entendamos que as redes possui uma manifestação de liberdades com uma carga elevada de subjetividades e um singelo desprezo da figura da autoridade. A consequência foi enxergada por Carl Henry num tempo distante das redes sociais: “a mídia se prestará “a dignificar deuses falsos, valores espúrios e a pseudoverdade”.

Notas Bibliográficas

HENRY, Carl F. H. Deus, revelação e autoridade. O Deus que fala e age. São Paulo: Editora Hagnos, 2016, p. 18,21

Sobre o autor

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática e Novo Testamento na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico. Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Ministros Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

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