Michel Augusto

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De mãos dadas com a diversidade religiosa: cuidado!

Por Michel Augusto

O Brasil é um país com uma diversidade religiosa assustadora. O sincretismo religioso é consequência direta e indireta dessa multiforme manifestação de espiritualidades. Temos visto inúmeras afrontas ao direito de liberdade religiosa. Em decorrência do desrespeito com as manifestações religiosas, tais como, destruição de templos, monumentos e símbolos e ataques a líderes, qual seria  a nossa postura? Em nome da indignação e apoio, teríamos que participar de atos interreligiosos de reinauguração de monumentos pagãos destruídos?

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  1. Preliminarmente, toda afronta a direito individual ou coletivo deve ser combatido pela via judicial;
  2. A nossa postura deve ser a de não aceitar a intolerância e injustiça contra a expressão religiosa, mesmo porque queremos viver essa liberdade religiosa para anunciar o juízo de Deus, através da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo;
  3. No entanto, devemos tomar o devido cuidado ao expressar publicamente a nossa indignação em detrimento de ataques à templos ou monumentos religiosos. Dar as mãos num ato de apoio pode expressar muito mais que um apoio, mas uma relação duvidosa ou um romance sutil com o diálogo interreligioso e o paganismo brasileiro;
  4. O ecumenismo nasceu, conforme nos lembra Rosino Gibelline, “numa tentativa de expansão missionária dos Americanos.”[1] No entanto, após inúmeras negociações ecumênicas, esse diálogo se tornou interreligioso, trazendo como consequência, entre outras, o universalismo da salvação, como unificação das crenças em torno do “amor” de Deus. Rob Bell representa muito bem esse diálogo do “amor” de Deus, porém desconsidera o problema da queda e a história da salvação bíblica por meio da eleição divina;
  5. O liberalismo teológico expressa uma paixão contínua nesse diálogo interreligioso. Peter Jones diz que “para os liberais, a diversidade surge da espiritualidade humana e uma ligação existe entre os deuses. Sem dúvida, o liberalismo é sincretista no sentido em que está aberto a toda sorte de informação, independemente da fonte.[2]
  6. Qual seria a influência da representação pastoral num ato interreligioso de reinauguração de monumento pagão destruído? Teria algum efeito positivo? Traria benefícios para o corpo de Cristo dar as mãos num ato religioso-sincrético? O pastor-teólogo tem uma função interna e externa à comunidade que pastoreia. Não é um alienado, porém, conforme destaca Vanhoozer, os “teólogos não devem colocar a doutrina a serviço dos interesses de qualquer poder institucional ou nacional”. Citando G. K. Chesterton, diz que “um centímetro é tudo quando você está se equilibrando.[3]” Não podemos apoiar a destruição de monumentos religiosos pagãos e nem participar de atos reinaugurais dos mesmos.

Por trás do discurso de não sermos intolerantes, há a defesa da tolerância. Não queremos que a violência se propague contra ninguém, mas não precisamos dar as mãos para o contexto sincrético-pagão. Francis Shaeffer nos lembra também que “assim como pode haver adultério físico, também pode haver infidelidade ao Noivo divino, ou seja, adultério espiritual. Esse adultério está explícito em Êxodo 34.12-15, quando o Senhor adverte seu povo acerca de “alianças que podem ser ciladas”[4]”. Peter Jones continua dizendo algo que não devemos esquecer: “Tomemos cuidado com os apelos sedutores para a tolerância e a promessa encantadora da paz universal. Negar a existência da batalha que foi travada, é uma grande ofensiva na guerra”.

[1] GIBELLINE, Rosine. Teologia do século XX. São Paulo: Edições Loyola, 2011.

[2] JONES, Peter. A ameaça pagã. Velhas heresias para uma nova era. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002.

[3] VANHOOZER, Kevin J. A trindade, as Escrituras e a função do teólogo. São Paulo: Editora Vida Nova, 2016.

[4] SCHAEFFER, Francis. A igreja do século XXI. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010.

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