Michel Augusto

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Os desafios de ser servo, marido, pai, pastor e teólogo

Por Michel Augusto

Falta tempo para fazermos tudo o que precisamos! Essa é a dura realidade da vida de todo ser vivente, seja urbano ou rural. Todos somos encharcados por desafios em todas as áreas da vida. Queríamos que o dia tivesse quarenta e oito horas!  Vamos lá para os desafios:

  1. O desafio inicial. Nem todos que saem da formação teológica inicial se tornam teólogos. Muitos entram no seminário em virtude das exigências formais, e não encarnam a teologia como um processo para a vida pessoal, ministerial e acadêmica. Estes não terão problemas com a sobrecarga que o ensino teológico exige, e encararão o ministério de forma bem pragmática;
  2. O desafio de fazer da teologia uma metodologia ministerial. Estes viverão os grandes desafios do ministério, intensamente, pois não desvencilharam a igreja da teologia, a doutrina da prática;
  3. O desafio familiar. A família do pastor e teólogo sofre em dobro. Além das demandas familiares, pastorais, tem que suportar a demanda acadêmica. Isso requer muita paciência dos dois lados. Por outro lado, o patriarca familiar tem que ser um marido como Cristo é para a igreja, acompanhar o crescimento dos filhos no contexto pós-moderno e outros. Deve haver muito planejamento para cumprir a trilogia família-pastor-teólogo. Nenhuma área pode ser negligenciada;
  4. O desafio pastoral. Feliz do pastor que pastoreia um povo que entende e investe na continuidade da formação pastoral. Em contrapartida, o pastor deve tomar o devido cuidado para manter o equilíbrio entre a família, igreja, cátedra e ensino continuado;
  5. O desafio de ser discente. A formação teológica não acaba com o curso inicial. É necessário que haja uma continuidade. Ela é dolorosa e dispendiosa, mas é o caminho para enfrentarmos os desafios da igreja, sociedade e cultura, além do crescimento acadêmico pessoal;
  6. O desafio de ser docente. A docência é o momento onde “desengorduramos”. Conhecimento acumulado sem a devida transmissão torna-se sufocante. Aprender para ensinar é o ciclo da vida;
  7. O desafio da atualização. A cada mês temos uma infinidade de lançamentos editoriais. O pastor-teólogo, como diz Vanhoozer[1], é um “generalista e especialista”. Como pastor, temos inúmeras disciplinas que dizem respeito à prática pastoral diretamente. Como teólogos, temos algumas áreas específicas de pesquisa academicamente falando. Sendo assim, faço a seguinte pergunto: “O que você tem feito de meia-noite às seis da manhã?” Exagero! Basta uma boa organização de agenda para encaixar as demandas citadas;
  8. O desafio da formação de opinião. O uso de blogs, redes sociais, vídeos e todos os aspectos midiáticos são importantes para formamos uma cultura cristã nesse mundo cibernético. Muitos encaram isso como uma exposição vangloriosa, mas vejo como uma oportunidade de formar uma cultura para a glória de Deus (1 Co 10.31). Esse é o mandato cultural dos redimidos do Senhor;
  9. O desafio da devoção pessoal. O pastor e teólogo é acima de tudo um servo de Cristo. O cuidado pessoal é fundamental. Passamos pelo perigo de cuidar da doutrina e esquecer do processo da vida cristã pessoal ( 1 Tm 4.16).

Por fim, os inúmeros desafios devem ser balanceados com um visão correta do evangelho. Tudo que fazemos deve ter uma motivação correta. Michael Horton[2] expressa isso muito bem ao dizer que “não estamos mais estrelando num enredo produzido por nós mesmos, mas vivemos a história de Cristo. Nada temos a provar – apenas muito trabalho a fazer”.

 

Michel Augusto é casado e pai de dois filhos. Cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista pela Capes. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico. Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

 

[1] VANHOOZER, Kevin. O pastor como teólogo público. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2016.

[2] HORTON, Michael. Simplesmente crente. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016, p. 63

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