Michel Augusto

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Fé virtual e fé comunitária

Hoje é dia de culto público! Uma breve reflexão sobre os desigrejados

Por Michel Augusto

Se eu disser que o culto é apenas coletivo, estarei redondamente enganado. O culto é individual e coletivo e essas duas dimensões de vivência da fé são indissociáveis. Estamos atravessando um momento crítico de desigrejamento, por motivos variados: seja por decepção com lideranças ou com a igreja local de forma geral ou por outros motivos. Temos uma quantidade enorme de pessoas que tem vivido a fé de forma virtual, apenas. As mídias são aliadas da fé, mas não podem substituir o valor do encontro e vivência comunitária. Assim sendo, listarei alguns fatores que devemos considerar sobre a fé virtual e comunitária.

  1. A fé cristã nasceu no contexto comunitário, presencial e coletivo. Isso fica claro quando olhamos o livro de Atos dos Apóstolos (2.42 ss). A fé se estende na história da humanidade, tomando um formato midiático, seja através da imprensa, televisão, rádio e as mídias sociais. São mediações importantes para a comunicação da fé, mas o valor da comunidade presencial não pode ser substituído.
  2. O público midiático e as decepções. Diante das frustrações com a igreja, liderança e povo de Deus, muitos decidem viver a fé virtualmente, apenas. Sei muito bem que não é fácil conviver com traições, decepções, mas não temos outra alternativa. Não ter que conviver na coletividade é um escapismo que não gera amadurecimento, pois é na convivência que aprendemos o que é amar, perdoar, tolerar, sujeitar-se etc. As duras recomendações do Apóstolo Paulo às igrejas incluíam instruções doutrinárias e questões práticas de relacionamento. A igreja de Corinto é o maior exemplo disso. Nela encontramos toda ordem de problemas relacionais, mas era a igreja de Cristo;
  3. A fé deve ser comunitária e pode ser midiática. Não temos como ignorar a mídia no contexto contemporâneo. Se olharmos para as mídias sociais, veremos a imensidão de mensagens em formatos variados. Podemos usufruir disso, mas devemos encarar a vida de fé como povo de Deus, reunido, com suas falhas e defeitos, mas debaixo de um Senhor que instrui, edifica e consola.

Francis Shaeffer nos diz que “não precisamos encontrar com uma igreja que concordamos nos mínimos detalhes. Isso é ridículo! Procure uma igreja que tenha fundamentos doutrinários sólidos e que seja comunitária, ou seja, relevante no contexto em que está inserida[1]”.

 

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista CAPES. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico. Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

Notas bibliográficas

[1] SCHAEFFER, Francis. A igreja do século XXI. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2010, p. 155

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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