Michel Augusto

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Reducionismos

Por Michel Augusto

Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra! Todos nós já cometemos erros de reducionismos. É a tentativa de reduzir algo à conceitos mais simples para se extrair a verdade ou alimentar um preconceito ou lendas urbanas. Quero tratar da segunda parte desse conceito. Assim sendo, seguem duas perguntas fundamentais para essa temática:

 

    Em que áreas cometemos os reducionismos?

  1. Vida profissional. Se dá na tentativa de sermos especialistas em tudo e ao mesmo tempo em nada. Trata-se daquele colega que fala algo “com propriedade” numa reunião, sem ao menos pesquisar honestamente e previamente o teor do assunto;
  2. Área acadêmica. Acontece quando afirmamos categoricamente um aspecto da disciplina, porém, sem conhecer todos as demais implicações da mesma;
  3. Contexto familiar. Quando queremos impor algo aos filhos ou cônjuge, usando a estratégia de reduzir conceitos ao invés de tratarmos do assunto com honestidade e clareza;
  4. Comunidade de fé cristã. Reputo como o ponto mais delicado:

           

I. Vida cristã.Analisamos a vida do próximo a partir de algumas fotos mal tiradas de sua trajetória. Nos esquecemos que a vida contém um filme. Convivemos muito pouco para sabermos do “pecado alheio”. São os famosos caçadores de pecadores;

II. Liturgia de culto.Dizemos que o culto é “frio” ou “ungido” pelo formato, jargões e terminologias gloriosas que são expressadas;

III. Pregação. Rotulamos a boa pregação pelo resultado aparente. Se houve manifestações de “glórias a Deus” e “aleluia” e as pessoas saíram dali “completamente” transformadas, realmente o pregador é um homem de Deus;

IV. Resultados. O falso conceito de que a mudança na vida das pessoas precisa acontecer de forma imediata. Confunde-se o conceito de conversão e santificação. O primeiro é imediato, já o segundo é um processo;

V. Liderança. Há um grave problema nessa área, pois o lema é: “Se eu estivesse lá, seria diferente”. É o perigo de reduzir a liderança apenas ao sucesso;

VI. Pastorado. Outra frase subtendida nos discursos: “Se eu fosse pastor dessa igreja, o povo andaria no trilho”. Seria a tentativa de reduzir o pastorado à alguns resultados práticos na vida das pessoas, jogando toda a responsabilidade do pecado da igreja para a figura pastoral, esquecendo-se do sacerdócio universal do corpo de Cristo;

VII. Bíblia e Teologia. Existe uma tentativa de se tornar conhecedor da fé, desprezando o aspecto teológico. Isso acontece conforme a famosa frase: “me mostre a sua teologia, que eu lhe mostrarei o meu conhecimento bíblico e os meus versículos decorados”. Outra: “Se você é bom na teologia, eu sou o “cara” da Bíblia. É uma tentativa de reduzir o conhecimento. A reforma protestante destacou a soberania das Escrituras Sagradas, mas não descartou a teologia. O erro reducionista seria inverter, ou seja, colocar a teologia acima da bíblia.

 5. Em assuntos gerais, como política, sociedade e cultura. A mídia tem influenciado a sociedade de forma mais contundente desde a imprensa, televisão, rádio e agora no contexto das mídias sociais. São inúmeros blogs sensacionalistas e correntes de informações que transformam boatos, especulações ou mentiras em verdades

 Por que fazemos os reducionismos?

  1. Falta de conhecimento do tema discutido;
  2. Desejo intenso de ser reconhecido em todos os assuntos da vida, mesmo sem ter a bagagem suficiente para tratar de todos eles;
  3. Generalistas, apenas. A vida requer que sejamos especialistas e também generalistas, como bem lembra o teólogo Vanhoozer. Mas quando formos tratar de assuntos gerais, devemos tomar o cuidado de pesquisar a fonte e os conceitos discutidos e se possível, falar o necessário e com muita cautela;
  4. Arrogância. O cúmulo da petulância é ignorar um especialista. É claro que podemos discutir com quem andou um pouco mais, mas na consciência de que podemos falar torpezas;
  5. Tentativa de negar tudo. Não podemos aceitar tudo como verdade, mas a partir do momento que começamos a negar tudo ao nosso redor, estamos transmitindo o seguinte recado: “Se o discurso não vier de mim, não aceito”.

Creio que o reducionismo seja importante quanto à tentativa de simplificar algo para extraírmos a verdade, mas quando é usado para alimentar um preconceito, nos tornamos antipáticos e afastamos as pessoas do nosso convívio, inclusive a própria família. Que consigamos ser especialistas e na medida que quisermos tratar de assuntos que não fazem parte da nossa leitura, que sejamos honestos, para pelo menos nos reiterarmos do assunto tratado.

Michel Augusto é casado, pai de dois filhos. Um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista Capes. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico. Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática (homilética – sermão expositivo), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

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