Michel Augusto

Blog

Intelectualidade redimida

Por Michel Augusto

A modernidade foi caracterizada por um desvencilhamento de qualquer sistema transcendental que buscasse explicar a vida através da fé. Já a pós-modernidade, em alguns aspectos, tem feito o caminho inverso. Como se trata da era das espiritualidades, temos visto uma marginalização dos intelectuais da fé. Nos esquecemos que a redenção de Cristo se deu em todos os aspectos da vida. O duplo mandato do amor envolve uma relação total do homem com Deus e o próximo (Mc 12.30-33) em todos os aspectos da existência, inclusive o entendimento. Os intelectuais redimidos produzem, mas para a glória de Deus, cumprindo o mandato cultural perdido no Éden.

A intelectualidade a serviço do reino de Deus é subjugada aos princípios redentivos. A forma de escrever, falar, pensar e refletir de forma mais rebuscada só anula a sabedoria da cruz caso não refletir a mesma. Existem públicos distintos que são alcançados por linguagens diversas no processo da evangelização. Kuyper diz que “não existe conflito entre a ciência e a fé, pois toda ciência num certo grau parte da fé, e ao contrário, a fé que não leva à ciência é fé equivocada ou superstição, mas não é fé real, genuína[1]”.

Não podemos reduzir os intelectuais da fé a homens arrogantes, que usam seus discursos para humilhar as pessoas. Arrogantes não precisam ser intelectuais, mas podem ser pessoas que vivem no sistema rural, na simplicidade do desconhecimento. Aliás, muitos se orgulham da falta de conhecimento, alegando que isso exalta a Cristo. Independente da linguagem e estilo, tudo parte do pressuposto de quem está sendo glorificado. Tanto o discurso simples ou rebuscado podem glorificar a Deus ou não.

Não precisamos exterminar os intelectuais da fé para que o plano de Deus se cumpra na face da terra. O intelecto faz parte da redenção do Senhor e trabalha a seu favor, subjugada, humilhada e servindo a Deus através do ensino, da escrita doutrinária, literária, produção acadêmica e pregação. Seria melhor vencermos o preconceito da intelectualidade redimida, para não criarmos categorias aceitáveis a Deus.

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Pastor e teólogo. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista CAPES. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico. Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática ( homilética – sermão expositivo ), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

[1] KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2. edição, 2014.137

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *