Michel Augusto

Blog

Jesus não é o Che Gevara!

Parte II – Jesus como libertador politico e social – Contrapontos à John Dominic Crossan e à Teologia Social

Por Michel Augusto

O momento é propício para tratarmos das inúmeras visões acerca de Jesus que foram estabelecidas ao longo da história da igreja. No contexto da esperança de Jerusalém quanto à um libertador político e social, vemos muitas semelhanças com o evangelho social atual. Jesus foi acompanhado pelas multidões, e era inevitável que não fosse alvo de um reconhecimento público de um libertador em detrimento do domínio romano. Mas o seu objetivo não foi esse. Embora tenha exercido compaixão pelos desassistidos, conforme nos mostra a narrativa de Lucas, não podemos confundir a ação testemunhadora do povo de Deus através de Cristo, com a assistência social.

As inúmeras tentativas de evangelização a partir de projetos sociais, culturais e políticos são extremamente válidas, no entanto corremos o risco de propagar heresias. Vanhoozer no lembra que “historicamente, a maioria das heresias da igreja cristã surgiu de esforços evangelísticos bem intencionados para alcançar pessoas, mudando conceitos teológicos importantes de modo a torná-los mais aceitáveis[1]”. Desta feita, enumerarei alguns contrapontos à teologia que tenta colocar Jesus como um libertador social, assim como Che Gevara, Nelson Mandela e outros. Senão vejamos:

  1. A teologia social propõe um pressuposto interpretativo das Escrituras a partir da realidade dos oprimidos.

John Dominic Crossan analisa Jesus, a partir da narrativa do Evangelho de Marcos, como alguém que luta contra o sistema predominante romano, um revolucionário igualitarista.

O evangelho de Marcos tinha como propósito principal descrever um histórico do contexto da vida até a ressureição do Mestre.

O evangelho de Lucas traz uma explicação da história da salvação.

  1. A teologia social analisa a vida do cristão a partir da sua relação com os desfavorecidos;

John Dominic Crossan. Apresenta Jesus como um profeta da esperança na luta contra a desigualdade social.

O evangelho de Marcos apresenta Jesus como exemplo de vida, mas como Filho de Deus, com chamado messiânico, assim como o Evangelho de Mateus.

O Evangelho de Lucas relata os feitos de Jesus, apresentando Jesus como o Messias que trouxe o reino de Deus, não como um libertador social, embora tenha tido um cuidado especial com as classes desprezadas de Israel.

  1. A teologia social enxerga a riqueza como uma ameaça moral.

John Dominic Crossan. Jesus era o revolucionário contra essa ameaça.

O Evangelho de Marcos trata de Cristo como o Arauto do Evangelho como poder de Deus ( Mc 12.24).

O evangelho de Lucas, conforme o capítulo 2 nos ensina que Ele veio para nos libertar da dor e salvar do pecado. Isso não nos leva à uma vida doutrinária fria, sem sensibilidade. Isso não pode nos remeter ao descuido com os que sofrem materialmente, mas não pode nos conduzir à uma confusão teológica acerca da missão cristã;

  1. A teologia social também decreta a erradicação da pobreza, através da ação da Igreja;

John Dominic Crossan. Jesus é tratado como Che Gevara, ou seja, um simples homem que veio para erradicar as diferenças entre os povos.

O Evangelho de Marcos apresenta o Messias como alguém que estenderia sua missão aos demais povos.

O evangelho de Lucas assim como a estrutura geral do Evangelho, conforme descreve J. I. Packer menciona “três virtudes teológicas: fé (estudo), esperança (adoração) e amor (ação)”. As três caminham juntas e nunca separadas. Se andarem separadas, corremos o risco de vivermos um ortodoxia ( doutrina) sem ortopraxia ( prática) e vice-versa.

Para John Dominic Crossan, Jesus é o revolucionário para o combate das desigualdades, não para morrer pelos nossos pecados, mas uma espécie de ameaça ao senhorio de Roma, somente. O calvário não seria um ato redentor, mas politico. As teologias descritas nos Evangelhos e textos apostolares, confirmam a a missão de Deus através de Cristo. A palavra chave é Arrependimento: a primeira palavra do Evangelho, partindo de João, Jesus, apóstolos e igreja.

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista CAPES. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico.  Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática ( homilética – sermão expositivo ), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

Bibliografia

BORG, Marcus J. CROSSAN, John Dominic. A última semana de Cristo. São Paulo: Editora Pocket Ouro, 2010.

PACKER, J.I; PARRET, Gary. Firmados no Evangelho. Edificando crentes à moda antiga. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012.

VANHOOZER, Kevin J. O pastor como teólogo público. SP: Vida Nova, 2016.

[1] VANHOOZER, Kevin J. O pastor como teólogo público. SP: Vida Nova, 2016, p. 56

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *