Michel Augusto

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Visões distorcidas de Jesus.

Parte I – A história do Instituto Rhema. Uma confissão positiva usada no neopentecostalismo.

O movimento neopentecostal tem se alastrado de forma assustadora no Brasil e fora dele. Assim como não conseguimos definir exatamente o que seja a pós-modernidade, não conseguimos formatar todos os significados do neopentecostalismo. Sabemos que a espiritualidade usada nesse movimento tem origens na confissão positiva de Essek Willian Kenyon, plagiada por Kenneth Hagin. Há muitas distorções nesse movimento, senão vejamos:

  1. Quanto à pregação. A pregação neopentecostal é fruto do pensamento de Kenneth Haggin, onde o experencialismo substitui a exposição das Escrituras. Pouco valor é dado às questões gramaticais do texto, pois considerar os valores exegéticos de um texto é uma afronta à vida no Espírito. É como se, viver na dependência do Espírito Santo anulasse o academicismo. O Seminário Rhema trabalha uma pseudo sistematização da fé, pois adota como pressuposto as teorias de Essek Kenyon, onde “a mente humana controla a esfera espiritual[1]”;
  1. Quanto ao aconselhamento cristão. Como a base dessa “teologia” é a confissão positiva, o aconselhamento se torna um festival de “clichês”. O determinismo é o fator determinante em tempos de crise. O poder da declaração em nome de uma fé distorcida atrai inúmeras pessoas que ficam entorpecidas com a possibilidade da sua voz controlar o mundo espiritual;
  1. Quanto ao ensino. O ensino se torna limitado e duvidoso, pois parte do pressuposto do fundador, que formou em Tulsa, Oklahoma, o centro da “fé”. Há uma certa usurpação do termo, pois pouco se considera os fundamentos da mesma. O ensino do Haggin é desprovido de crédito porque o mesmo alega “que seus ensinamentos lhe foram transmitidos pelo próprio Deus mediante revelações especiais[2]”. A partir do momento que o ensino se torna fruto de uma “revelação especial”, anula-se qualquer possibilidade de possíveis erros, gerando assim, manipulações sem precedentes;
  1. Quanto à musicalidade. No Brasil temos a figura do André Valadão, que pegou a linguagem do Rhema e transpôs para a musicalidade. A marca do cantor é a “fé”. Mas que fé é essa? É a fé determinista do Haggin. Significa declarações no mundo espiritual que trazem à existência o que não existe. É uma usurpação de Hebreus 11.1, que nada tem a ver com confissão positiva, mas sim com uma expectativa da esperança da volta do Senhor. A musicalidade se torna antropocêntrica, pois desconsidera a soberania do Senhor expressa na oração do Pai Nosso e Getsêmani. A música passa a ser um meio de entronização da vontade do homem declarada no mundo espiritual;

É espantoso ver a falta de critério de muitos líderes ao adotarem essa teoria de Haggin. A manipulação evangelística nasce nesse terreno, pois ilude e atrai as pessoas em detrimento de um poder mágico da fé. A fé perde o seu fundamento, e passa a ser vivida no campo da subjetividade completa, onde a experiência tem primazia em relação aos pressupostos básicos bíblico-teológicos.

Michel Augusto é um cristão reformado calvinista. Doutorando em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática) – bolsista CAPES. Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (Teologia Prática). Mestre em Teologia, (Novo Testamento) pela Faculdade Teológica Cristã do Brasil. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista (SBJN). Bacharel em Direito pelo Centro Universitário IESB.

É professor de Teologia Prática na FTRB – Faculdade Teológica Reformada de Brasília. Advogado na área de direito eclesiástico.  Pastor da Igreja Batista Nacional Deus é Luz. Membro da Ordem de Pastores Batistas Nacionais/DF e OAB/DF.

Áreas de pesquisa: Teologia Prática ( homilética – sermão expositivo ), Teologia da Musicalidade, Mídia e Religião e Teologia do Novo Testamento.

Bibliografia

CUNHA, Carlos; LIBÂNIO, J. B. Linguagens sobre Jesus. As linguagens tradicional, neotradicional ós-moderna, carismática, espírita e neopentecostal. São Paulo: Editora Paulus, 2011, p. 79

[1] CUNHA, Carlos; LIBÂNIO, J. B. Linguagens sobre Jesus. As linguagens tradicional, neotradicional ós-moderna, carismática, espírita e neopentecostal. São Paulo: Editora Paulus, 2011, p. 79

[2] CUNHA, p. 79

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